domingo, 20 de julho de 2014

ADOÇÃO (PARTE 2)


Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. Romanos 8:15

A maioria das pessoas provavelmente nasceu em uma família amorosa, ao invés de ser adotado por uma. Mas no que diz respeito à família de Deus, tanto o nascimento quanto a adoção acontecem aos crentes de uma só vez. Qualquer eleito, quando crê em Jesus, nasce de novo e também é aprovado por Deus em Sua família. A palavra grega para “adoção” vem de duas palavras juntas: huios, que significa “filho”, e thesis, que significa “uma colocação”. Assim, a palavra significa “colocação em filiação”. A palavra grega é um termo jurídico que indica que aos crentes têm sido dados todos os privilégios legais de serem filhos na família de Deus. Quando Deus adota os crentes como Seus filhos, Ele coloca o Espírito de Seu Filho em seus corações para que se tornem, de fato, seus filhos natos. Como tal, eles não são apenas “adotados” (no sentido da que palavra agora transmite), mas verdadeiramente “gerados” por Deus. Deus faz “filhos de Deus” de “filhos dos homens” ( Rm 8:15; Gl 4:5; Ef 1:5).

De acordo com o Novo Testamento, todas as pessoas são pecadoras por natureza e, portanto, são chamados de “filhos da ira” (Ef 2:3). Mas pela graça de Deus, aqueles a quem Deus ama, tornam-se filhos de Deus (1 João 3:12). É do amor de Deus e também da obra do Filho de Deus que os crentes podem ser adotados na família de Deus. Enquanto os crentes são chamados filhos de Deus nas Escrituras (cf. Mt. 5:9; Rom. 8:14, 19; Gal. 3:26), o título “Filho de Deus”, quando usado para Jesus Cristo, refere-se a divindade de Cristo (Mat. 11:25-27; 16:16-17). Jesus Cristo é um em substância e glória com Deus Pai. Como a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Cristo é distinto do Pai como “o Filho unigênito.” Os crentes em Cristo, embora “adotados” como filhos de Deus, não são iguais com o Filho Divino. No entanto, através do trabalho do Filho, Deus tem aprovado os pecadores em sua família (Ef 1:4-6).

Através de Sua morte e ressurreição, Jesus destruiu o pecado e a sua pena de morte, e cobriu os crentes com a justiça necessária para o status de serem filhos de Deus. Os crentes são os beneficiários da obra de Cristo. Eles são transformados em herdeiros de Deus e se tornam co-herdeiros de Cristo (Rm 8:17). E como filhos de Deus, eles recebem o Espírito, que garante que eles são de fato filhos de Deus (Romanos 8:15; Gal. 4:6). Eles podem legitimamente chamar Deus: “Pai” (Rm 8:15-16). Embora os cristãos já estejam adotados na família de Deus (1 João 3:1), eles não irão sentir o que realmente significa ser filhos de Deus até que sejam ressuscitados dentre os mortos (Rm 8:21- 23). Só então os crentes receberão sua herança integral de seu Pai Divino, só então eles desfrutarão de viver permanentemente em Sua presença.”


Fonte: Holman Treasury of Key Bible Words de Eugene E. Carpenter e P h i l i p W . C o m f o r t . D i s p o n í v e l e m h t t p : / / bibliotecabiblica.blogspot.com.br/2009/12/doutrina-adocao-novo-testamento.html.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

ADOÇÃO

ADOÇÃO

Diz o capítulo 12 da Confissão de Fé Batista 1689, em seu primeiro tópico, sobre adoção:

Em seu único Filho, Jesus Cristo, e, por causa dEle, Deus é servido fazer participantes da graça da adoção todos quantos são justificados. Por essa graça eles são recebidos no número dos filhos de Deus, e desfrutam das liberdades e privilégios dessa condição; recebem sobre si o nome de Deus; recebem o espírito de adoção; têm acesso com ousadia ao trono de graça, e clamam Aba, Pai; recebem compaixão, proteção, e a provisão de suas necessidades. E são castigados por Deus, como por um pai; porém, jamais são lançados fora, pois estão selados para o dia da redenção. E herdam as promessas, na qualidade de herdeiros da salvação eterna.

A Bíblia de estudo de Genebra comenta sobre a adoção, baseada em GL 4:5, o texto abaixo.

Gálatas 4:5: “Para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”.

O dom da justificação, isto é, a presente aceitação por Deus, o Juiz do mundo, é acompanhada pelo dom da adoção, isto é, o dom de a pessoa poder tornar-se filho do Pai Celestial (Gl 3.26;4,4-7). No mundo de Paulo, a adoção se fazia comumente de jovens adultos, homens, de bom caráter, que se tornavam herdeiros e mantinham o nome da família de pessoas ricas que, de outro modo, não teriam filhos. Paulo, contundo, proclama a adoção graciosa de Deus, que adota indivíduos de mau caráter, para se tornarem herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (Rm 8.17). A justificação é a benção básica sobre a qual se fundamenta a adoção; a adoção é a bênção culminante para a qual a justificação abre caminho. O status de adotado pertence a todos os que recebem Cristo (Jo 1.12). Em Cristo e através de Cristo, Deus ama seus filhos adotivos, como ama a seu Filho unigênito, e partilhará com eles a glória que Cristo usufrui agora (Rm 8.17, 38-39). Os crentes estão sob o cuidado e disciplina paternais de Deus (Mt 6.26; Hb 12.5-11). Eles devem orar a Deus que é seu próprio Pai do céu (Mt 6.5-34), expressando desse modo o instinto filial que o Espírito Santo implantou neles (Rm 8.15-17; Gl 4.6).

Adoção e regeneração constituem duas realidades que permanecem juntas, como dois aspectos da salvação assegurada por Cristo (Jo 1.12-13), porém são realidades que devem ser distinguidas entre si. A adoção resulta num novo relacionamento, enquanto que a regeneração é uma mudança de nossa natureza moral. Contudo, a conexão entre elas é clara. Deus quer que seus filhos, a quem ele ama, tenham o seu caráter e, para isso,  ele toma providências.
 Fonte: Bíblia de Estudos de Genebra, Notas Teológicas, página 1394.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

JESUS ENTROU NO SEU CORAÇÃO?




*Por Pr. Alexandre “Sacha” Mendes

“Jesus entrou no meu coração” e “Jesus limpou meu coração” são ideias comuns nas canções infantis evangélicas de hoje. Os adultos ensinam e as crianças cantam. Mas você já parou para pensar no que está por trás de frases assim? Em um mundo que se distancia cada vez mais de tudo o que a Palavra de Deus ensina, a apresentação do Evangelho ficou resumida a um conjunto de sentimentos momentâneos de uma rasa religiosidade Ocidenal. Entre outras coisas, falta estudo da Bíblia para compreender a natureza do coração humano. O resultado é gente convidando Jesus para entrar em um “lugar” desconhecido, para limpar uma suposta parte do corpo de significado místico. São pessoas que deixaram as canções de crianças, mas ainda vivem uma teologia infantil.

O coração é o centro de controle do Homem, de onde “depende toda a sua vida” (Pv 4.23). É lá que residem os pensamentos, intenções, crenças, desejos e atitudes. Esse centro do controle do homem também é chamado de mente, alma e espírito no Novo Testamento. De uma certa forma, são todos termos sinônimos, ou melhor, intercambiáveis (Ef 3.16, 17). Então, o coração faz referência ao homem interior como um todo. Tudo o que não pertence à composição física do homem faz parte do centro de controle, que é o homem interior (Mt 13.15).

Uma análise de diversas passagens bíblicas aponta o coração como centro de controle em três áreas principais: intelecto, afeição e vontade. Primariamente, o coração refere-se ao intelecto, que inclui pensamentos, crenças, lembranças, juízos, consciência e discernimento  (1 Rs 3.12; Mt 13.15; Mc 2.6; Lc 24.38; Rm 1.21; 1 Tm 1.5). Outra parte do centro de controle do homem é composta pelas afeições: os sentimentos ou emoções  (Dt 28.47; 1 Sm 1.8; Sl 20.4; 73.7; Ec 7.9; 11.9; Is 35.4; Tg 3.14;). A terceira área do coração é a vontade. A vontade é o aspecto da parte da pessoa interior que escolhe ou determina ações (Dt 23.15-16; 30.19; Js 24.15; Sl 25.12).

Porém, essas três características do coração não devem ser encaradas como entidades distintas e isoladas. O homem interior não pode ser entendido isolando suas divisões funcionais, mas na sua unidade de essência. Intelecto, afeição e vontade trabalham em cooperação mútua e não existem isoladamente. O coração é como um diamante com facetas distintas, chamadas de intelecto, afeição e vontade. Porém, todas fazem parte da mesma preciosidade: o coração. Portanto, a dinâmica do centro de controle humano envolve o pensamento como orientador do juízo de valores, que alimenta o desejo. Por sua vez, o desejo é resultado do direcionamento da vontade. E a rede de valores e desejos alimentam as afeições, que influenciam nas decisões. Essa é uma dinâmica tão difícil de descrever quanto de separar suas partes. Cada uma delas desempenha um papel importante na influência das demais.
 
Então, tudo o que é estudado com relação às diversas áreas da vida deve ser aplicado ao nível do coração, pois ele representa quem o homem verdadeiramente é (Pv 27.19). Meras mudanças comportamentais não irão promover transformação genuína na vida de ninguém. A transformação que agrada a Deus deve acontecer no nível do coração, é lá que está o real problema (2 Co 3.15) e o centro de controle de todo o homem. Somente um coração transformado pela graça de Cristo pode cumprir o propósito original da criação (2 Co 4.6).

A implicação dessa definição é que todo e qualquer problema do Homem está relacionado ao coração. Quem você irá amar mais: Deus ou a si mesmo? Somente o Espírito Santo, através da Palavra de Deus, pode revelar a verdade por trás de decisões tomadas no coração humano (Hb 4.12). Então, “Jesus entrou no seu coração”? “Jesus limpa seu coração”? Em outras palavras, quem está no comando? Jesus é Senhor sobre seus pensamentos, seus desejos e suas afeições? O Senhor Jesus está limpando seu coração num processo de renovação de sua mente? Sua vontade está direcionada para agradar a Deus? Suas emoções são despertadas pelo que é puro, santo, agradável, verdadeiro? Em outras palavras, santificação progressiva é uma realidade no nível de seu intelecto, vontade e emoção ou apenas uma doutrina de velhos e ultrapassados teólogos?

*Alexandre Mendes é conhecido como “Sacha” desde que se conhece como gente. Nascido em Belo Horizonte, cresceu em São Paulo capital e Atibaia. Sacha é formado em Economia pela Universidade São Paulo, Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida, mestre em Aconselhamento Bíblico – M.A. – pelo The Master’s College (Santa Clarita, CA, EUA) e mestrado em Divindade – M. Div. – pelo Faith Bible Seminary (Lafayette, IN, EUA). É casado com a Ana desde junho de 2007 e pai do Pedro desde julho de 2009. Atualmente Sacha serve como pastor na Igreja Batista Maranata em São José dos Campos.


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segunda-feira, 14 de julho de 2014

COMPARTILHE AS DOUTRINAS DA GRAÇA!

A Escritura nos adverte da importância do estudo cuidadoso das Sagradas Letras, assim como da importância de ensiná-las fielmente:

"Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque,fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem" - 1 Tm 4v16.

Por crermos na plena inerrância e suficiência da Escritura, cremos que sua leitura e exposição clara é essencial para guiar aqueles que não conhecem a verdade até ela, e também para restaurar e dar vitalidade àqueles que já a conhecem.

Esta tabela - abaixo - foi desenvolvida com esta mentalidade, com o objetivo de tornar o estudo das doutrinas da graça algo prático. Lendo versículo por versículo, deixando que um verso ilumine o entendimento dos demais, e assim, chegando a uma compreensão do conselho bíblico sobre o assunto. Ela é, também, um incentivo a uma argumentação mais bíblica, e a deixar de lado a discussão estéril, baseada na opinião própria.

"Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, [...] ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado" - Mt 28v19-20.


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domingo, 13 de julho de 2014

A IMUTABILIDADE DE DEUS


                       *Fabiano Rocha

Mas tu, SENHOR, permanecerás para sempre, a tua memória de geração em geração. Salmos 102:12

Os atributos de Deus podem ser definidos como comunicáveis ou incomunicáveis. Os atributos incomunicáveis são aqueles em que Deus torna-se distinto de suas criaturas. São atributos dos quais nós não participamos. Diferente dos atributos comunicáveis. Os homens foram criados à imagem e semelhança de Deus. Com isso, possuímos aspectos do ser de Deus que foram comunicados a nós. Temos condições de amar, sermos pacientes, exercer justiça e sermos bondosos, mas não podemos ser onipresentes, onipotentes, oniscientes, nem independentes (autônomos). Essa divisão do ser de Deus não quer dizer que Ele seja divido, mas é um recurso didático que possibilita uma melhor noção da forma como Deus se revelou. Um dos atributos de grande evidência em tudo aquilo que Deus realiza, e que podemos caracterizá-lo como incomunicável é a sua imutabilidade. Esse aspecto do seu caráter revela que tudo o que Deus decretou está fundamentado em sua vontade soberana e que nada do Ele que planejou fazer carece de perfeição.

 
Deus é imutável não somente em seu ser, mas também em suas perfeições, propósitos e promessas. A marca registrada dos projetos e intentos humanos é a imperfeição, as mudanças de propósitos e a alteração de planos. Nós, com freqüência precisamos ponderar e voltar atrás muitas vezes. Isso por que nossos planos são marcados por nossa limitação, imperfeição e mutabilidade. Porém em Deus não há mudança nem sombra de variação. Tudo o que Ele planejou fazer e está executando, está plenamente de acordo com o seu ser e com o seu plano traçado desde a eternidade.

O salmista, no salmo 102, demonstra por meio de contraste o que também podemos chamar de inalterabilidade de Deus. O poeta coloca de um lado a terra e o céu e do outro a pessoa de Deus. E a conclusão que chega é a pura verdade: “em tempos remotos, lançastes os fundamentos da terra, e os céus são obras das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permaneces, todos eles envelhecerão como uma veste, como roupa os mudarás, e serão mudados. Tu, porém permaneces o mesmo, e os teus anos jamais terão fim”. Deus exorta o povo de Israel utilizando aspectos do seu próprio caráter imutável, quando diz por intermédio do profeta: “Porque eu, o Senhor, não mudo, por isso vós não sois consumidos” (Ml 3:6). Não havia outra razão para tanta paciência divina para com aquela nação que fora tão rebelde e obstinada. Quando lemos as narrativas históricas, vemos a longanimidade da parte de Deus para com eles. A maneira correta de se compreender aquela paciência em suportar tanta rebeldia não é olhando para os rebeldes e sim para o próprio ser de Deus. A única razão está na imutabilidade do Criador.

Essa verdade parece simples e abstrata ou até mesmo distante de uma relação prática para com tudo o que nos cerca e para com as nossas vidas. Mas imaginemos a possibilidade de Deus constantemente mudar de idéia. Ou se aquilo que prometeu há séculos atrás hoje não estivesse mais de pé! Que terror e que incerteza seriam para nós crermos em todas as suas promessas e planos. Mas não há essa possibilidade. Podemos ter a plena certeza de que tudo aquilo que Ele prometeu fazer irá cumprir e fazer acontecer de forma perfeita e imutável. Não somente porque vimos se cumprir no tempo muitas promessas feitas por Ele, mas porque Ele é perfeito e imutável.


Fabiano Rocha é pastor da Primeira Igreja Batista Reformada de Taguatinga-DF