*Por Pr. Alexandre
“Sacha” Mendes
“Jesus entrou no meu coração” e “Jesus
limpou meu coração” são ideias comuns nas canções infantis evangélicas de hoje.
Os adultos ensinam e as crianças cantam. Mas você já parou para pensar no que
está por trás de frases assim? Em um mundo que se distancia cada vez mais de
tudo o que a Palavra de Deus ensina, a apresentação do Evangelho ficou resumida
a um conjunto de sentimentos momentâneos de uma rasa religiosidade Ocidenal.
Entre outras coisas, falta estudo da Bíblia para compreender a natureza do
coração humano. O resultado é gente convidando Jesus para entrar em um “lugar”
desconhecido, para limpar uma suposta parte do corpo de significado místico.
São pessoas que deixaram as canções de crianças, mas ainda vivem uma teologia
infantil.
O coração é o centro de controle do
Homem, de onde “depende toda a sua vida” (Pv 4.23). É lá que residem os
pensamentos, intenções, crenças, desejos e atitudes. Esse centro do controle do
homem também é chamado de mente, alma e espírito no Novo Testamento. De uma
certa forma, são todos termos sinônimos, ou melhor, intercambiáveis (Ef 3.16,
17). Então, o coração faz referência ao homem interior como um todo. Tudo o que
não pertence à composição física do homem faz parte do centro de controle, que
é o homem interior (Mt 13.15).
Uma análise de diversas passagens
bíblicas aponta o coração como centro de controle em três áreas principais:
intelecto, afeição e vontade. Primariamente, o coração refere-se ao intelecto,
que inclui pensamentos, crenças, lembranças, juízos, consciência e discernimento (1 Rs 3.12; Mt 13.15; Mc 2.6; Lc 24.38; Rm
1.21; 1 Tm 1.5). Outra parte do centro de controle do homem é composta pelas
afeições: os sentimentos ou emoções (Dt
28.47; 1 Sm 1.8; Sl 20.4; 73.7; Ec 7.9; 11.9; Is 35.4; Tg 3.14;). A terceira
área do coração é a vontade. A vontade é o aspecto da parte da pessoa interior
que escolhe ou determina ações (Dt 23.15-16; 30.19; Js 24.15; Sl 25.12).
Porém, essas três características do
coração não devem ser encaradas como entidades distintas e isoladas. O homem
interior não pode ser entendido isolando suas divisões funcionais, mas na sua
unidade de essência. Intelecto, afeição e vontade trabalham em cooperação mútua
e não existem isoladamente. O coração é como um diamante com facetas distintas,
chamadas de intelecto, afeição e vontade. Porém, todas fazem parte da mesma
preciosidade: o coração. Portanto, a dinâmica do centro de controle humano
envolve o pensamento como orientador do juízo de valores, que alimenta o
desejo. Por sua vez, o desejo é resultado do direcionamento da vontade. E a
rede de valores e desejos alimentam as afeições, que influenciam nas decisões.
Essa é uma dinâmica tão difícil de descrever quanto de separar suas partes.
Cada uma delas desempenha um papel importante na influência das demais.
Então, tudo o que é estudado com
relação às diversas áreas da vida deve ser aplicado ao nível do coração, pois
ele representa quem o homem verdadeiramente é (Pv 27.19). Meras mudanças
comportamentais não irão promover transformação genuína na vida de ninguém. A
transformação que agrada a Deus deve acontecer no nível do coração, é lá que
está o real problema (2 Co 3.15) e o centro de controle de todo o homem.
Somente um coração transformado pela graça de Cristo pode cumprir o propósito
original da criação (2 Co 4.6).
A implicação dessa definição é que
todo e qualquer problema do Homem está relacionado ao coração. Quem você irá
amar mais: Deus ou a si mesmo? Somente o Espírito Santo, através da Palavra de
Deus, pode revelar a verdade por trás de decisões tomadas no coração humano (Hb
4.12). Então, “Jesus entrou no seu
coração”? “Jesus limpa seu coração”? Em outras palavras, quem está no comando?
Jesus é Senhor sobre seus pensamentos, seus desejos e suas afeições? O Senhor
Jesus está limpando seu coração num processo de renovação de sua mente? Sua
vontade está direcionada para agradar a Deus? Suas emoções são despertadas pelo
que é puro, santo, agradável, verdadeiro? Em outras palavras, santificação
progressiva é uma realidade no nível de seu intelecto, vontade e emoção ou
apenas uma doutrina de velhos e ultrapassados teólogos?
*Alexandre
Mendes é conhecido como “Sacha” desde que se conhece como gente. Nascido em
Belo Horizonte, cresceu em São Paulo capital e Atibaia. Sacha é formado em
Economia pela Universidade São Paulo, Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra
da Vida, mestre em Aconselhamento Bíblico – M.A. – pelo The Master’s College
(Santa Clarita, CA, EUA) e mestrado em Divindade – M. Div. – pelo Faith Bible
Seminary (Lafayette, IN, EUA). É casado com a Ana desde junho de 2007 e pai do
Pedro desde julho de 2009. Atualmente Sacha serve como pastor na Igreja Batista
Maranata em São José dos Campos.
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